Contratar empresa para limpar o nome não valeu a pena para 43% de ex-negativados que utilizaram o serviço, mostram CNDL/ SPC Brasil
22% dos entrevistados contrataram empresa para tirar seus CPFs das listas de negativados;59% tentaram negociar a dívida com credores antes de buscar serviço e 62% disseram que a empresa prometeu limpar o nome sem que a dívida fosse paga
O país tem atualmente 62,7 milhões de inadimplentes, cenário propício para atuação de empresas que criam falsas promessas de limpar o nome dos consumidores sem que a dívida seja paga. Um levantamento da Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), feito com quem esteve com o nome sujo nos últimos 12 meses e já saiu dos cadastros de devedores, revela que dois em cada dez (22%) ex-negativados contrataram empresas especializadas em limpar o nome. Desses, 43% não tiveram as expectativas atendidas, entre os quais (22%) afirmaram não ter resolvido o problema como esperado e 21% acabaram pagando mais caro do que se tivessem tratado a questão direto com o credor. Por outro lado, 41% das pessoas ouvidas ficaram satisfeitas com a contratação do serviço.
Antes de ir atrás desse tipo de serviço, 59% tentaram negociar com o credor e 22% nem ao menos tentaram propor uma nova negociação. O principal motivo apontado pelos entrevistados para procurar empresas que prometem limpar o nome foi a falta de tempo em solucionar o problema (38%). Para 32%, a intenção era buscar ajuda nas negociações, enquanto 27% reconhecem ter recorrido a essa alternativa por não saberem o que fazer. O levantamento também mostra que mais da metade (60%) pagou antecipadamente para a empresa contratada e 29% somente após a comprovação de que a empresa teria limpado o nome.
Para o educador financeiro do SPC Brasil, José Vignoli, a contratação de empresa para limpar o nome exige cuidados redobrados. “Se o consumidor tem dinheiro disponível para contratar esse tipo de empresa, recomenda-se que, em vez disso, negocie diretamente com o credor e ofereça uma entrada à vista para tentar um desconto no valor da dívida ou redução do número de parcelas. Frequentemente, um intermediário faz pouca diferença e ainda cria uma nova despesa para quem já está endividado”, afirma Vignoli.
A pesquisa mostra, por exemplo, que entre os entrevistados (78%) que não contrataram empresas para limpar o nome, 49% conseguiram resolver a situação sozinhos, ao falar direto com o credor. Já 20% disseram não ter dinheiro para pagar uma empresa para ajudá-los — percentual que sobe para 33% entre os mais jovens —, enquanto 13% tiveram medo de sofrer golpes.
62% afirmam que empresas prometeram limpar nome sem pagar dívida; 26% dos contratantes conheceram serviço nas redes sociais
Entre os entrevistados que utilizaram o serviço de empresas que prometem limpar o nome, 53% acreditam que conseguiriam ter quitado a dívida sem precisar contratar o serviço. Além disso, muitos consumidores reconheceram ficar em dúvida quanto à idoneidade dessas empresas, já que 59% revelaram ter tido medo de sofrer algum tipo de golpe na contratação.
Outro dado da pesquisa aponta que seis em cada dez (62%) ex-inadimplentes garantem que a empresa prometeu limpar o nome sem que a dívida fosse paga. Por outro lado, 27% disseram que não houve essa promessa. “Deve-se desconfiar de qualquer empresa que promete reverter a negativação sem que a dívida seja paga. Não existe mágica, a única forma de limpar o nome é buscar acordo com o credor e quitar os débitos em atraso. Esse tipo de serviço acaba funcionando como intermediário, poupando o trabalho de negociar pessoalmente. Mas é perfeitamente possível negociar por conta própria, evitando assim gastos e problemas, como por exemplo, não sair da negativação”, comenta.
Questionados sobre como tiveram conhecimento dos serviços, 26% dos contratantes disseram que foram atraídos por anúncios em redes sociais. Outros 26% reconheceram que a indicação de amigos e parentes teve influência na decisão de contratar uma empresa, 25% ao passarem pela porta da empresa e 20% após usarem os mecanismos de busca na internet.
Metodologia
Inicialmente, foram entrevistados 537 consumidores que estiveram com o nome sujo e quitaram suas dívidas nos 12 meses anteriores à pesquisa, nas 27 capitais, acima de 18 anos, de ambos os gêneros e de todas as classes sociais. A sondagem seguiu somente com consumidores que contrataram uma empresa para limpar o nome – o que corresponde a 22,4% da amostra inicial. A margem de erro é de 4,2 pontos percentuais para uma confiança de 95%.
Baixe a íntegra da pesquisa em http://site.cndl.org.br/noticias/pesquisas/
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